Cuidados paliativos ajudam a garantir um adeus com dignidade
21/07/2016 - 11:40

O Brasil ocupa a 42ª posição no Índice de Qualidade de Morte, que avalia as medidas de qualidade dos cuidados paliativos em 80 países. O ranking divulgado recentemente pela The Economist Intelligence Unit (EIU) foi encomendado pela Fundação Lien, uma organização filantrópica de Singapura, e que ouviu mais de 120 especialistas em cuidados paliativos. Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia encabeçam o ranking. O Brasil ficou atrás dos nossos vizinhos do Mercosul: Chile (27ª), Argentina (32ª) e Uruguai (39º). De acordo com o índice, o Brasil precisa avançar nos quesitos ambiente de cuidados de saúde, mais acesso a profissionais treinados e disponibilidade de analgésicos. O país ainda está formulando a estratégica nacional, que deve atender a três áreas: política de drogas, de recursos humanos e redes de formação e assistência. Equipes estruturadas para prestar esse tipo de atendimento ainda são efêmeras. Em Londrina, aos poucos os hospitais começam a dar atenção ao assunto. Os hospitais do Câncer, Dr. Anisio Figueiredo (Zona Norte) e o Evangélico são exemplos de unidades que já constituíram comissões de cuidados paliativos. Implantada há pouco mais de um ano, a comissão do HZN iniciou os trabalhos há dois meses. Dez pacientes foram atendidos neste período. Sete morreram no hospital, um teve alta domiciliar e dois continuam em atendimento. A iniciativa partiu dos próprios funcionários do hospital e foi abraçada pela direção. "Normalmente, se adota um atendimento padrão para o prolongamento da vida. O paciente é entubado, levado para a UTI. Os cuidados paliativos (comissão) vem questionar esses procedimentos, que muitas vezes são desconfortáveis para o paciente e busca trabalhar a qualidade de morte", comentou o fisioterapeuta Fernando Marcucci, presidente da comissão. Um quarto com quatro leitos foi preparado para atender os pacientes sem perspectivas de cura. "O quarto recebeu uma pintura azul, diferente do branco que predomina no hospital e estamos pensando em colocar um som ambiente. O horário de visitas é estendido e número de acompanhantes que pode ficar no quarto é maior", explicou o fisioterapeuta. Marcucci afirmou que a iniciativa também diminuiu o conflito entre a vontade da família de deixar o paciente confortável nos momentos finais da vida e da equipe médica de fazer o máximo possível para prolongá-la. A equipe é multidisciplinar. Eles passaram por uma capacitação com a equipe de atendimento domiciliar da Secretaria Municipal de Saúde. Marcucci está fazendo doutorado na área e passou cinco meses na Austrália pesquisando o assunto. "Visitei alguns serviços como uma comunidade budista que tinha um trabalho desenvolvido por uma ONG".

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